Mulheres de poder: Andrea Natal

Copacabana Palace - Andrea Natal - Foto Alle Vidal 001

Andrea Natal queria ser veterinária quando criança, mas acabou entrando para a história do hotel mais famoso do Brasil. Para nossa entrevista, ela desponta no hall do Copacabana Palace com sua voz forte, energia radiante, uma camisa impecavelmente alva e sapatos Gucci, que, confessa, são seu novo “vício”.

A paixão por sapatos vem da infância. “Minha mãe colocava a gente pra engraxar os sapatos de casa. Aliás, eu acho que sapatos sujos depõem contra a pessoa. Sapato tem que estar limpo, não pode ter marcas. Ela também tinha mania de retocar as roupas, então a gente tinha que repassar pra sair. Eu não saio com roupa amassada de jeito nenhum”, destaca.  Atualmente está começando a se aventurar pelas compras online e conhecendo novas marcas, mas quando quer estar chic sem errar, aposta nos looks da Patricia Vieira.

Sua história com o “Copa” aconteceu há 21 anos. “Estava no Rio a trabalho e um amigo me avisou da vaga. Fui para a segunda entrevista de emprego da minha carreira”, recorda. Sendo a primeira e única mulher da rede Belmond – que nos anos 90 comprou o Copacabana Palace da família Guinle – a ocupar o cargo de diretora-geral, diz que isso aconteceu naturalmente e não se considera uma mulher ambiciosa: “Sempre busquei novos desafios, me envolvendo em outras áreas e quando fazia mais do mesmo, já dizia para o meu chefe: ‘Preciso de coisas novas, o que você tem ai pra mim?’”. E segue me contando sobre a importância da liderança feminina: “A mulher é mais detalhista, sensível e tem um lado mais humano”.

Um de seus maiores desafios hoje é desenvolver sua equipe. “Afinal, são eles que entregam as promessas que eu faço”, diz. Nos treinamentos, faz todos passarem pela mesma experiência dos hóspedes, para que saibam o que os próprios colegas fazem e entendam como o hotel é vendido. “Os garçons precisam comer nos restaurantes, saber quais são as novidades do chef, provar, saber indicar algo do seu gosto… fica muito mais fácil vender o que se conhece. A equipe tem que saber da história do hotel e de Copacabana. Eles precisam saber a magnitude que esse edifício representa”. Afinal, criar um ambiente acolhedor para o hóspede relaxar em seu tempo livre é desafiador.

Copacabana Palace - Andrea Natal - Foto Alle Vidal 002

Não à toa, celebridades internacionais de todo porte já se hospedaram lá e Andreia coleciona boas histórias, como quando ajudou a filha do Steve Wonder a convencê-lo a autorizar a compra de um vestido. Como? Cantando para ele ao telefone. O bum humor, aliás, é um trunfo: “Um dia cheguei no Pérgula e vi lá no fundo uma pessoa de boné, que não queria ser reconhecida, percebi que era o Seu Jorge, fui me aproximando cantando a música dele, que se mudou pra minha mesa e passamos uma tarde muito agradável. Às vezes tomo coragem e faço essas brincadeiras”

Não é que Andrea “se sinta” em casa no Copa: ela de fato mora lá. Em 2002, foi com o filho Louis, hoje com 22 anos e a Chanel, sua maltês. O apartamento de 120 metros quadrados, que apesar de ter algumas peças adquiridas no Leilão que o Copacabana Palace realizou, é decorado com objetos cheios de memórias pessoais. Por ali, Andreia já recebeu Mario Testino, Hebe Camargo e várias outras celebridades. “Os amigos brincam que eu moro no trabalho e trabalho em casa, mas é muito bom não precisar cuidar do planejamento doméstico e enfrentar trânsito. É muito estressante estar saindo para ir ao trabalho e precisar pensar se está faltando feijão em casa”, conta.

Mas também não pense que ela se delicia com os pratos do Pérgula diariamente.  “Como de tudo, mas evito gorduras. Uma salada verde maravilhosa e um grelhado são suficientes”. Seu pecado? Pipoca. E também relaxar aos sábados e domingos. “Aos finais de semana, o programa é rir, jogar conversa fora e comer. Me divirto fácil, daí eu como leitão a pururuca, feijão, tutu, pudim de leite, banana caramelizada… e na segunda eu corro atrás”.

Copacabana Palace - Andrea Natal - Foto Alle Vidal 008

E corre mesmo. Aliás, pedala. No mínimo três vezes por semana. “Gosto de ir até a Floresta da Tijuca que tem um visual lindo. Conheci muito do Rio de Janeiro na bike”. E quando entramos nesse assunto, vejo que por trás daquela grande executiva existe uma pessoa simples, que gosta de serra, de bicho, de verde, da roça e de curtir momentos em família. Considera luxo sentar sem ter hora pra ir embora, curtir o tempo com os amigos e ouvir boas histórias. “No Rio, as pessoas se encontram na praia, vão andando até o botequim da esquina beber alguma coisa. É um clima informal”.

Em 2009, viu que mesmo as coisas mais simples podem ser difíceis de viver. Foi quando descobriu um câncer de mama. “É uma experiência inesquecível que se atravessa, mas tudo passa. A doença precisa ser encarada, não tem outra opção. Meu maior aprendizado foi a resignação. Tive que botar limites porque fisicamente não tinha condições e sentia uma grande exaustão, em alguns momentos nem falar eu conseguia. Aprendi a me recolher, parar, tirar meu time de campo. Reconhecer os limites que a vida dá pra gente”, lembra.

Doença superada, ela retomou o trabalho – que nunca deixara de lado – e hoje mostra aquela combinação mágica de uma pessoa “culta, inteligente, que possui poder de atração pelo seu conteúdo, carismática e interessante”, como ela mesma define uma mulher de poder. Ao nos despedirmos, percebo claramente sua presença naquele ambiente, onde todos andam rindo e tudo parece perfeito. Andrea é mesmo a cara do Copa.

 

(Por Pedro Buzzatto)

 

 

*Fotos: Cortesia Alle Vidal

 


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