Idosos, o verdadeiro desafio da veterinária*

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Toda criança sonha um dia em ser veterinária. A grande maioria simplesmente por descobrir, na pequena infância, o amor incondicional por esses peludos. Mas só o amor não é suficiente. Para ser um médico veterinário é necessário gostar de cuidar e costumo dizer que é preciso ter o dom da cura.

Os avanços da medicina veterinária, dos métodos preventivos e a popularização dos pets em nossos lares fez com que estes passassem a ter uma expectativa de vida maior e dessa forma cresce a cada dia o número de animais idosos. Um levantamento feito em um hospital veterinário de São Paulo mostrou que dos anos 1980 até hoje a expectativa de vida dos mascotes domésticos deu um salto positivo. Praticamente dobrou na amostra estudada. Cães de pequeno porte, que chegavam em média até os nove anos de idade, hoje alcançam os 18. Os grandões já vivem normalmente até os 13. Com os gatos, a mesma história: passaram a viver em média vinte anos. O feito, que nos animais levou meras três décadas, nos humanos tardou quase um século.

Sendo assim, a geriatria passou a ser nosso grande desafio. Os animais idosos dificilmente apresentam uma só doença. Assim como nós, os diferentes órgãos vão sofrendo um desgaste e necessitando de reparos (olhos, coração, coluna…).

E agora? O que fazer?  Devemos procurar vários especialistas, cuidadores, planos de saúde? Quando é a hora de sedar? Não existe uma regra imutável. Naturalmente muitos outros fatores devem ser levados em consideração: a idade do proprietário do animal, a rotina da família desse animal, a situação financeira e emocional dessa família e até mesmo suas crenças religiosas.

O meu conselho é sempre buscar um veterinário de confiança com quem você possa discutir sobre as prioridades de tratamento e as possibilidades de cura. Assim como um pediatra, esse veterinário deve estar disponível fora dos horários convencionais caso você ou seu pet necessitem de orientação. Quanto mais tempo você e seu veterinário se conhecerem, mais fáceis serão as decisões. E aqueles que estão longe dessa fase podem buscar informar-se como fazer para que seu pet tenha uma velhice saudável. Há opções como dietas especiais e exames preventivos, por exemplo.

É possível dar qualidade de vida ao pet idoso, mas sem dúvida isso custa tempo, dinheiro e dedicação. Para mim, nada é mais gratificante e desafiador do que cuidar desses velhinhos, melhorar a qualidade de vida deles e ajudar os proprietários a passarem por esse período muitas vezes complicado!

#respeiteopetidoso

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*Por Michele Sandrault, proprietária da Clínica Veterinária Pet Pillow, localizada na rua Vieira Maciel, 67, em São Paulo. Michele é a segunda convidada d’As Meninas neste mês da mulher. Para ler o artigo da semana passada clique aqui.

 


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