O Ídolo

eleonora rosset

 

É a coisa mais linda e esperançosa. História real, inspiradora!

“Esse filme do diretor palestino Hany Abu-Hassad conta uma história que não tem nada a ver com guerra, apesar do cenário ser a Faixa de Gaza. Mostra que um herói da paz une esse povo sofrido”, diz minha amiga, Eleonora Rosset aqui:

 

“O Ídolo” (“The Idol”, Reino Unido, Palestina, Catar, Holanda, Emirados Árabes Unidos) com direção de Hany Abu-Assad.

Um filme que começa com crianças brincando, como todas as crianças do mundo, nos faz receber bem “O Ídolo”. É 2005, Palestina, Faixa de Gaza, mas apesar dos cenários pobres e maltratados daquela terra, lá as crianças também se divertem.

Em uma cena de perseguição, um dos meninos pula ágil sobre os tetos dos ônibus enfileirados e corre para sua casa. Lá a mãe dele reclama:

“- Quando você vai se comportar como um menino de sua idade? E nem ouse sair de casa!”

Ali mora uma família de classe média. Mas como classificar se quase todos nessa vila são pobres? Eles moram numa casa com quarto só para eles, um menino de 12 anos, Mohammed Assaf, e sua irmã de 10, Nour (linda e competente atriz mirim). Vão à escola e podemos dizer que têm mais luxos que os outros. Televisão na sala e pai e mãe carinhosos.

A primeira parte do filme conta a história de quatro amiguinhos que têm um sonho: tocar com a banda deles na Ópera do Cairo. Parece impossível que isso vá acontecer quando se vê a dificuldade de comprar instrumentos, mesmo usados. As crianças vendem peixe frito na praia e comida surrupiada de uma lanchonete e com isso conseguem juntar um dinheirinho.

Não vamos ouvir falar de guerra, terrorismo, inimigos ou algo desse teor. A câmera mostra os prédios destruídos, mas as crianças vivem uma vida normal.

Lá também tem adultos que roubam as crianças, mas elas sabem se defender.

Mohammed (Qais Atallah) é o cantor da banda e tem voz e carinha de anjo. Adora a irmã (Hiba Attalah), que tem jeito de menino. Aliás, ela usa esse jeito para poder tocar guitarra. Ela, como menina, não poderia se interessar em tocar numa banda, pensam muitos dos adultos do lugar. Ela é bonita e charmosa, mas quando toca em casamentos e festas tem que se esconder atrás de um pôster grande. Mas ela é alegre e animada. À noite consola o irmão:

“- Vamos tocar no Cairo. Sei que vamos! Está chorando? Vai dar tudo certo. Seremos grandes e vamos mudar o mundo!” e faz o irmão repetir a frase vitoriosa. E essas crianças vão tocando e cantando até que uma tragédia acontece. Nour tem uma doença fatal.

É nesse momento que vemos Mohammed crescer e se apegar ainda mais a seu sonho. E, ajudado pelo professor Kamal (Amer Hlehel), que gostou da voz dele e se torna seu mentor, ensaia muito e progride.

Dessa infância até sua juventude, esse palestino vai lutar com tudo o que pode para chegar lá, no programa “Arab Idol”, uma espécie de “The Voice” egípcio.

Na segunda parte do filme, em 2012, Mohammed tem 24 anos e é interpretado por Tawfeek Barhon, que, ajudado pela sorte, consegue chegar onde quer.

No final, o próprio Assaf, bonito e carismático, aparece ganhando o prêmio do programa, ele o único palestino participante.

O diretor Hany Abu-Assad (de “Paradise Now” e “Omar”, ambos indicados a melhor filme estrangeiro no Oscar) é um símbolo nacional de esperança e desafio. Seu filme que conta a história real de um palestino que, por causa de um programa de TV, tornou-se Embaixador de Boa Vontade da ONU e ídolo nacional, é simples e emocionante.

Mostra que a beleza de uma voz e o talento podem unir um povo que precisa de heróis da paz para viver e encontrar o seu destino.

 


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