O poder do abraço

abraço

Mais um dia de USP.  Mas este tinha se tornado um dia daqueles… Primeiro, descubro que um grupo está para publicar um trabalho parecido com o que estou desenvolvendo há dois anos com uma turma do Rio. Se publicarem antes, papamos mosca e o nosso trabalho perde o impacto – estresse…

Então, ligo para o setor de compras para ver como anda a aquisição de uns equipamentos que solicitei há uns quatro meses, depois, é claro, de apresentar três orçamentos diferentes e ter que optar pelo mais barato independentemente da qualidade do produto ou do fornecedor. Após revirar alguns papéis, o burocrata, que na verdade disse que me ligaria há três dias, não ligou. Resolvi tentar de novo. Ele me diz que a compra foi aprovada (e eu penso: há quanto tempo foi aprovada? Por que não me ligaram antes avisando que estava aprovada?), mas que eu teria que atualizar os orçamentos. “Só o mais barato?”, pergunto eu. Não, os três.  Mais burocracia, mais tempo perdido, saco…

Para terminar, o gerente da obra de meu laboratório novo (que está em obras há 4 anos…) me manda um e-mail com a lista de materiais a serem comprados para a instalação da rede de informática. Vou encaminhar o e-mail para o fornecedor e me dou conta de que o gerente não especificou as quantidades – ódio da incompetência!

Depois ter passado a manhã enrolada nessas chatices, das quais somente uma é ciência (competição é parte da vida de cientista), engulo um almoço em 20 minutos, bufando, com a consciência terrível do desperdício de capacidade produtiva do pesquisador brasileiro. Xingando tudo e me sentindo num beco sem saída, corro para dar aula.

Entro na sala, os alunos me cumprimentam e uma aluna fala o típico “oi professora, tudo bem?”. Eu respondo com um meio sorriso o também típico “tudo”, apesar de ser mentira. Ela para e me pergunta olhando nos meus olhos: “professora, a senhora está bem?”.  Resolvo ser mais honesta “Na verdade, não. Tive uma manhã cheia de aborrecimentos…”.  E ela diz “Puxa, professora… A senhora quer um abraço?”.

Me desarmei, ri, e… aceitei o abraço! Recebi o carinho de peito aberto, deixei o afeto genuíno da aluna me tocar, e assim pude mudar minha forma de lidar com a situação: as chatices seguiram lá nos seus lugares – aos poucos serão resolvidas, como sempre.  Nossa vida de pesquisador é resolver sequências infindáveis de chatices e, de vez em quando, ter o prazer intenso de pensar e fazer ciência. Aquele abraço mudou o meu dia, obrigada!


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