O ciclo da vida feminina

lygia mulher

Não percam hoje, na Folha. Tati Bernardi, grávida, descrevendo sua busca por um(a) ginecologista/obstetra, e as barbaridades que experimentou em seu périplo.  Ela me inspirou a contar a minha história de outra fase do ciclo reprodutivo feminino. Aí vai!

Uma vez encontrado um aparentemente ótimo pai biológico e social no mesmo homem (filhos lindos e saudáveis do primeiro casamento e pai dedicadíssimo, praticamente uma leoa!), com quem tratei logo de me casar, minha ideia era ter três filhos – sim, queria uma família grande, unidos venceremos!

OK, comecei tarde, a primeira gravidez foi aos 35 anos, e quando Gabriela nasceu eu já tinha 36.  Dois anos depois veio Maria, e aí… Foi um caos…  Maria chorava muito (segundo a minha cozinheira, de fome), Gabi sofria muito com ciúmes, e a malabarista aqui, que com tudo isso ainda tentava se tornar uma superpesquisadora na USP, pirou.  O superpai também, e na segunda semana de vida de Maria declarou: “Julgando pelas duas últimas semanas, eu fico por aqui de filhos”.  Fácil para ele falar, que com as minhas duas completava quatro filhos! Mas confesso que naquele momento eu também pendurava as chuteiras, e tratei de correr para uma terapia para sobreviver ao furacão.

Lygia e as filhas 2

O tempo passou, Maria parou de chorar, Gabi seguiu com ciúmes, mas sob controle, e o sonho do terceiro filho, que a essas alturas tinha virado A terceirA filhaA (adorei ter meninas!), foi voltando.  Só que agora ela não caberia mais na casa.  Condicionei a gravidez a comprarmos a casa do vizinho! Não conseguimos… Começamos então a construir uma casa nova, que deveria ter um quarto para a possível terceira filha! Só que na planta, aquele quarto sem função imediata estava tomando muito espaço. Por outro lado, não queria abrir mão do sonho de maternidade tripla. A solução foi desenhar uma sala possível de ser convertida em quarto de bebê!

A essas alturas, eu já estava com 43 anos, e resolvi abrir meu coraçãozinho para a minha ginecologista da época: “Doutora, sabe que eu ando com uma vontade danada de ter a terceira?”. No que ela me respondeu: “Eu tenho 35 anos de consultório… Sabe quantos partos de mulher de 43 anos eu já fiz? NENHUM!”. Foi um tapa na minha cara!  Mais tarde mandei um champagne (Rosé) para ela com um cartão ameaçador: “Querida Doutora, vou acabar com as suas estatísticas!”.  E corri de volta para o ginecologista que havia feito meus dois partos.

“Ainda dá tempo!”, começou ele muito bem! “Porém, você tem que saber das dificuldades…”. E começou a enumerá-las, carinhosamente, sem ameaça, e com um tom de que, apesar de elas existirem, pode dar tudo certo.  Saí de lá feliz e decidida! No caminho de casa liguei para o maridão informando que teríamos a terceira, ele engasgou, mas não vetou e… Tive uma semana de cão me dividindo entre as duas meninas, casa, USP, consultorias, e a Super Mulher jogou a toalha. Admiti ao marido que não daria conta…

Dali a um ano comecei a ter os calores, e quando vi tinha entrado na menopausa.  Depois de uma montanha-russa hormonal, com calores, acne, queda de cabelo, insônia e depressão, mudei mais uma vez de médico, dessa vez buscando um que, como uma amiga falou, “gostasse de mulher velha, e não de mulher grávida”.  Achei a Dra Sônia, que amo! Ela me equilibrou e amortiza maravilhosamente o meu seguro de saúde, pedindo todo ano milhões de exames relativos à saúde da mulher mais velha! Nosso maior inimigo? Câncer… De mama, ovário ou útero.  Pois semana passada, depois de me examinar na consulta de rotina anual, ela me declarou com entusiasmo: “Você está ótima! A mama lipossubstituída (sai glândula, entra gordura – ou seja, a mama cai…), o útero e os ovários bem pequenininhos (sumindo)… seu risco de ter câncer é mínimo!”.

OK, há bastante tempo que eu já sabia que a terceira filha não ia rolar, mas não consigo comemorar a perda cada vez mais irreversível da fertilidade. É esquisito… Fico olhando minhas filhotas e imaginando que outras maravilhas sairiam da mistura Lygia e Fabio (modéstia às favas). Tudo fantasia, mas a perda desse poder sempre me dói. Porém, a natureza é sabia, e nos deu os netos! Sim, pesquisas mostram o papel fundamental das avós em diferentes sociedades humanas, e não vejo a hora de começar a dar minha contribuição! Pena que a minha mais velha ainda tem só 14…


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