Calder, o joalheiro

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Quando se pensa em Alexander Calder é quase impossível não lembrar de seus móbiles. Aquelas esculturas maravilhosas que, quando instaladas, projetam imagens e até sons. É realmente algo muito pontual (e inspirador) no percurso da arte. Não à toa, o Whitney Museum, em Nova York, está com a exposição “Calder: Hipermobility”, reunindo esses trabalhos.

O que pouca gente conhece é uma outra faceta de Calder: a de joalheiro. O artista fez mais de 1.800 joias durante a vida. Há rumores de que sua primeira peça foi para a boneca de sua irmã, no início do século XX. Mas foi na década de 1930 que o artista começou a fazer joias como uma forma de complementar sua renda.

Segundo a curadora Elisabeth Agro, que organizou uma mostra de joias de Calder no Museu de Arte de Filadélfia em 2008, um de seus broches, por exemplo, podia ser adquirido na época por apenas US$25. Mas, com o tempo, suas joias passaram a adornar as mulheres da elite de Nova York.

cinto com detalhe de Alexander Calder, 1943

“Toda mulher em Nova York que é afortunada o suficiente tem um broche, uma pulseira ou um colar de Calder”, disse a colecionadora Peggy Guggenheim, que desfilava com brincos enormes do artista. Mary Rockefeller, por sua vez, sempre exibia um colar Calder em latão nas vernissages de arte moderna. Segunda a esposa do governador de New York, a peça “exigia um pouco dos ombros”.

Realmente, o foco de Calder não era o conforto. Ele criava peças grandes ou pesadas. É como se o artista não identificasse uma separação entre suas esculturas e seus brincos. “Ele aplicou sua visão como um escultor em quase tudo e via pessoas como formas funcionais nas quais podia pendurar mais pendentes”, explicou a curadora Elisabeth Agro.

colar de Alexander Clader, 1937

Calder recebeu algumas ofertas para produzir suas joias em massa, mas nunca aceitou.  “A produção em massa me faz pensar em pinturas de Martha Washington no interior de caixas de doces”, disse certa vez. Assim, fazia cada joia à mão, evitando técnicas tradicionais da joalheria. Charme da obra – e do artista. Azar o nosso.

 


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